2011-2012

AUTORAntónio Barbosa
Uma transição entre um velho e um novo ano permite sempre fazer o exercício intelectual de refletir um pouco sobre o caminho passado e aquele que por ventura se pensa fazer. Uma vez mais, não vou fugir a essa premissa.

2011 foi, na minha opinião, um ano de mudança na forma de pensar à “portuguesa”. Um ano louco, com uma conjuntura que me atrevo chamar “maníaco-depressiva de sentido único” que conduziu o português a fazer aquilo que melhor sabe.

De facto, feliz ou infelizmente, dependendo da perspetiva com que é observado, o nosso património cultural permite coisas como mudanças na forma global de pensar extraordinárias… O típico português consegue passar, muitas vezes na mesma “frase”, de uma quase obsessiva e infundamentada esperança para um prazenteiro, martirizante e inevitável destino... Passo a explicar: uma conjuntura em que ora nos diz que não temos nada, ora nos tira mais um pouco, fez com que o péssimo hábito de acreditar que tudo ficará melhor (normalmente por acaso ou por obra de alguém que ninguém conhece), desse lugar a um não menos infeliz pessimismo irresponsável… É algo que eu acredito ser verdade, mas não o alvo desta edição. Não desta vez.

Assim sendo, neste número, proponho-me a referir três apontamentos que me parecem meritórios neste final de ano.

Inevitavelmente o primeiro a que me quero referir é relativo ao sucesso desportivo no ano de 2011. E naturalmente, quando falo nesse sucesso, refiro-me inequivocamente a duas equipas. O Futebol Clube do Porto e o Sporting Clube de Portugal. A primeira pela manifesta manutenção de qualidade e regularidade ao longo deste e dos últimos anos. E a segunda por toda a sua paciência e perseverança demonstradas nos últimos anos, ao abrigo de um projeto de formação e cujo resultado foi evidentemente demonstrado através do lugar de destaque obtido nos mais recentes Campeonatos Nacionais de Clubes. Dois grandes exemplos de gestão e responsabilidade desportiva! Parabéns, mas acima de tudo, obrigado, por isso!

Depois, deixar uma palavra relativa a todos os atletas! Uma vez mais demonstraram, mesmo tendo em conta as contrariedades existentes, que a Natação está a evoluir e que todo o investimento nela feita não foi em vão. Parabéns por isso! Na mesma linha aproveito também para parabenizar especialmente os que já obtiveram mínimos de participação nos Jogos Olímpicos de Londres. São estes os atletas montra desta modalidade. São eles que representam a nossa Natação e são eles que servem de exemplo para a grande maioria dos restantes atletas. Aos que ainda tentam alcançar esse objetivo, faço votos que o consigam e se juntem à grande festa do desporto mundial.

O terceiro e último apontamento é relativo às organizações. Nelas incluo, naturalmente, a Federação Portuguesa de Natação e a sua Assembleia Geral, todas as associações regionais e de classe (árbitros, treinadores e nadadores) e, claro, os clubes. Se os atletas são os principais atores, são todas estas organizações que lhes proporcionam um palco para o espetáculo e por isso também é do seu esforço e dedicação que a Natação vive. Este complicado ano que agora passa iniciou de forma muito séria um processo de teste às capacidades destas organizações e todos devemos estar gratos pela disponibilidade que todos os dias estes agentes têm de evidenciar. Continuem!

Posto isto, desejo a todos um ótimo ano de 2012, fazendo votos que este seja mais um ano de glória para a nossa Natação. Para isso impõe-se necessariamente muito trabalho, dedicação e espírito positivo. Muita vontade e objetivamente muito sacrifício. Estou certo que assim será! Força!

Não quero terminar este número sem que antes possa enviar um forte abraço a todos aqueles que tiveram um ano de 2011 um pouco mais complicado que o habitual, simplesmente porque a saúde os levou a “tropeçar”. Para todos vocês, meus amigos, estou certo que 2012 será obrigatoriamente melhor e lembro que tropeçar NÃO é cair!

Bom ano de 2012!

image