“A Estatística é tramada - 1”

AUTORSérgio Esteves
Quando o “mundo pula e avança” (Rómulo de Carvalho dixit), Portugal também tem que crescer.
Isto quer dizer que quando o Marciano do Peaty coloca o recorde do Mundo a 57 (sem viragens a meio), Portugal tem que acompanhar.
No mesmo alinhamento é o mesmo que prever o fim dos recordes de poliuretano, no dia em que o animal do Dressel limpar os 46 Zero de Lezak… Nesse dia, é bom que tenhamos alguém nos 48… Se não o fizermos atrasamos.
Não ter alguém nos 48 há de valer bem menos que os 49,5 do Venâncio ou até a meia final do Trindade.
Se o Mundo bate 11 records num ano e nós batemos 5. Atrasamos.
Se em algum momento tivemos 11 olímpicos e agora temos 8. Atrasamos.
Se Portugal foi 11.º no Europeu Feminino de Polo nos anos 90 e agora foi 10.º então é porque melhoramos 1 (Um) lugar em 2 décadas.
Se a biomecânica dos Livres manda avançar para os Straight Arms, deixando o Popov para trás, então que sigamos esse trilho… trabalhemos com os Biomecânicos… temos uns quantos bons.
Quando Yokoshi colocava a cabeça dentro de água desafiando as regras da FINA, Portugal cresceu.
Quando Joana Soutinho, nas mãos de Zé Nando, explodiu a nadar um bruços Outboard, Portugal avançou.
Quando a Sara fez a melhor marca portuguesa de sempre (a 4,80% do Record do Mundo/ 200 Mariposa Pequim 2008) era porque estávamos no caminho certo.
Quando o Diogo faz um pódio europeu iguala o que o Couto fez 15 anos antes e o Yokoshi 30.
Quando a Diana roda 400 com uns parciais Patek Philippe o caminho está correto.
Quando o Cruchinho coloca 2 nadadores na casa dos 4% do recorde do Mundo com 2 décadas de diferença é porque acompanha a evolução (podem medir a mesma coisa com pontos FINA que vai dar ao mesmo).
Quando a Raquel faz 2:25 aos 200 Bruços alinhada com o planeta e não a sabemos chamar, fizemos asneira.
O Atletismo está nas medalhas (desde 76)… a Canoagem… Triatlo… Judo…
Se nós objetivamos repetir o que já fizemos, então é porque não queremos crescer.
Engavetar este sentido de urgência é procrastinar a existência, passar ao lado da história, ficar para trás… apagarmo-nos.
Quem não perceber isto terá que sair de cena… em vez de culpar o PIB, a Troika ou a regionalização.

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