Cuba portátil… para quando?

AUTORCarla Carmo
Nesta época festiva em que os presentes são uma das maiores preocupações para os pais, assim como a causa de ansiedade de muitas crianças, deveremos fazer uma pausa para refletir na questão dos brinquedos eletrónicos e na forma como estes influenciam a mudança de padrões de comportamento/atividades das crianças/jovens.

Numa análise aos brinquedos mais procurados e vendidos para a maioria dos jovens, a “wii” apresenta-se no topo das preferências/aquisições das famílias portuguesas.

Assim, caso tentássemos espreitar pelo “buraco da fechadura” de cada lar, não ficaríamos surpreendidos ao constatar inúmeros jovens em cima de plataformas a fazer ioga, a jogar ténis, com comandos nas mãos e a gritar “cesto” (num jogo de basquetebol) ou “ganhámos este set” (num jogo de voleibol). Felizmente, ainda não foi criada nenhuma cuba portátil, pelo menos que tenhamos conhecimento, que permita simular na essência provas de natação, esquemas de natação sincronizada, remates do polo aquático ou até mesmo proporcionar a sensação dos saltos para a água (não só o movimento mas tudo o que envolve, água, corpo imerso, etc.).

Felizmente, os inúmeros prazeres associados a esta grande disciplina da natação apenas poderão ser vivenciados com a prática efetiva de cada uma das suas modalidades.

Felizmente, a tradição ainda é o que era e ainda não foi criada nenhuma forma de praticar natação fora do meio aquático. Felizmente, para todas as crianças e jovens pois, como sabemos e como já referimos inúmeras vezes, há coisas que jamais deveriam ser substituídas e, uma delas, é o desporto. Os benefícios físicos, emocionais, sócio-económicos, entre outros, são imensos.

Felizmente, o mundo tecnológico tem muitas vantagens e tem contribuído para uma evolução da técnica e tática desportiva. Contudo, também poderá levar a um menor índice de atividade desportiva por parte dos jovens. Cabe aos pais e educadores ajudar as crianças a gerir da melhor forma os seus tempos livres.

Felizmente, ainda temos opções. Apesar das “ilusões” das tecnologias, o número de clubes com oferta desportiva aquática tem aumentado, assim como o número de nadadores, quer na vertente formativa, quer na vertente competitiva.

image