“Espero esta época mostrar o meu valor”
Jorge Maia, nadador do Grupo Desportivo de Natação de Vila Nova de Famalicão
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Jorge Maia, de 21 anos, é um dos candidatos de Famalicão com pretensões a participar nos Jogos Olímpicos de Londres. Por isso, esta época, o recordista nacional dos 400 metros livres, que trabalha “sempre com o objetivo de ser melhor”, mostra-se ambicioso e espera mostrar o seu valor. O futuro radiologista vê no técnico Pedro Faia um amigo e na família um apoio sempre presente.
Onde e como tudo começou?
Começou no clube (Famalicão) que ainda hoje represento com muito orgulho e dedicação. Quando tinha 4 anos, a minha mãe fez questão que eu aprendesse a nadar, desde aí ganhei o gosto e deu no que sou hoje.
Mas tinhas amigos que também nadassem?
Não, mas tinha a minha irmã que praticou também natação.
Ao longo do teu percurso, como te foste motivando em querer continuar na modalidade? Foi com os resultados que foram aparecendo?
Sempre fui muito competitivo. Algumas vezes perdia, outras ganhava. Assim comecei a interessar-me pela modalidade e a ter as minhas referências. A partir daí os resultados foram aparecendo.
Os Jogos Olímpicos são já no próximo ano. Que tipo de preparação tens planeado para obter os mínimos?
A preparação já vem desde o início do ciclo olímpico. Nos últimos Jogos, a estafeta, da qual eu fazia parte, ficou perto da qualificação. Então estabeleci como objetivo os Jogos Olímpicos de Londres.
Mas esta época vais apontar para quando? E que prova vais atacar?
Sei que já desperdicei oportunidades, mas ainda tenho algumas pela frente para tentar. Se tudo correr como planeado, tenho uma em dezembro, quero já tentar aí ou pelo menos ter boas referências para o resto da época e a partir daí procuro preparar-me e escolher a melhor com a ajuda do meu treinador. A principal será os 400 metros livres, visto que estou a três décimos com a minha melhor marca, mas também não ponho de parte os 200 livres.
Quando se fala em Jogos Olímpicos, veem o João Araújo como motivo de inspiração, já que foi o único nadador do clube a concretizar esse sonho?
Sim, o João foi uma ótima referência para mim e para todos os famalicenses, já que foi o primeiro atleta a participar nuns Jogos Olímpicos.
Além de ti, o Famalicão tem mais dois candidatos a Londres, Adriano Niz e Luís Vaz. Trabalham todos com o mesmo objetivo?
Sim, isso é muito bom! São poucos os clubes que têm três atletas a trabalhar com esse objetivo.
Nas últimas duas épocas, tens andado afastado das principais competições internacionais. A que se deve isso?
Na época de 2009/2010 ainda participei na Taça do Mundo, mas não consegui mínimos para o Campeonato da Europa e o selecionador optou por não me levar. Na época passada passou-se o mesmo, não fiz mínimos para os Campeonatos do Mundo que era o meu objetivo.
A natação portuguesa poderá vir a ter de novo um Jorge Maia como teve em 2009, quando bateste o recorde dos 400 metros livres e participaste nos Mundiais em Roma?
Claro que sim! Eu trabalho sempre com o objetivo de ser melhor, mas por vezes temos fases na vida menos felizes. Não é por falta de treino que não estou de igual forma, mas por vezes falta qualquer coisa que nos permita estar em excelente forma. Espero esta época mostrar o meu valor.
A vitória nos 400 livres, no último Open da Póvoa de Varzim, deu-te alento e motivação para a nova época?
Sim, esperava uma melhor marca. Sou sempre ambicioso e quero sempre melhor. Tenho alguns erros a corrigir e algumas coisas a melhorar e espero conseguir!
O Famalicão, terceiro no Nacional de clubes, pode este ano conquistar o título da 1.ª Divisão?
É sempre difícil, mas não impossível. Temos de escolher bem as provas e fazer bem as contas, pois temos adversários muito fortes.
As condições que o Famalicão te oferece são as melhores?
As infraestruturas não são as melhores, mas nunca me faltou nada. Quanto a isso não me posso queixar, mas infelizmente tenho de me deslocar à Póvoa de Varzim para treinar em piscina de 50 metros e isso requer uma enorme disponibilidade.
Ter a piscina de 50 metros de Famalicão disponível durante o Inverno era o ideal?
Sim.
Já tiveste convites de outros clubes?
Não.
Que significado tem para ti o treinador Pedro Faia?
Amigo. Já são alguns anos juntos e criámos uma amizade forte. Sei que posso contar com ele para tudo e sinto-me à vontade para falar com ele do que quer que seja.
Já terminaste o teu curso académico? Como concilias treinos e estudos?
Isso é que já é mais complicado. Tenho de ter enorme disponibilidade para treinar. Assim torna-se difícil conciliar os estudos, mas estou inscrito em radiologia no Porto e ainda estou no primeiro ano. Pretendo, no fim deste ciclo olímpico, acabar o meu curso.
Que papel tem tido a família na tua carreira?
Importantíssimo! Sempre me apoiaram e aceitam a minha escolha e vivem tanto como eu a modalidade. Fazem questão de estar sempre presentes, sem eles acho que não seria o que sou hoje.
O teu futuro profissional pode passar pela natação?
Não sei… de momento estou a tirar radiologia. Se tudo correr como planeado, vou exercer essa profissão, mas vou estar sempre ligado à natação.