José Ribeiro: “O meu sonho era ir aos Jogos Paralímpicos”

José Ribeiro, atleta de natação adaptada
AUTORJoaquim Sousa
José Ribeiro tem um sonho: participar nos Jogos Paralímpicos. Mas enquanto a vertente de síndrome de down não estiver incluída no calendário paralímpico, o nadador do Clube de Propaganda de Natação, de 25 anos, nada por outros objetivos, o desta época “é conseguir ir aos Campeonatos do Mundo, que vão ser no Canadá, em julho” e “bater o recorde nacional dos 1500 metros livres”. O melhor atleta português de natação adaptada de 2017 revela que o momento mais marcante da sua carreira “foi ter ouvido o hino nacional” após a conquista do título europeu dos 800 livres.

Sagraste-te recentemente, em Paris, bicampeão europeu de síndrome de down, e conquistaste mais duas medalhas de bronze. Esperavas conseguir tão bons resultados para Portugal?
Na realidade, não contava com tão bons resultados. Para além destas medalhas, ainda fui vice-campeão da Europa nos 1500m livres e numa estafeta e alcancei dois recordes nacionais. A primeira prova em que fui campeão da Europa foi muito emocionante, de tal forma que até chorei.

Como se viveu o ambiente no Europeu, onde a Seleção Nacional somou 26 medalhas?
O ambiente foi muito bom, estive com muita gente conhecida e o grupo sentiu-se muito bem com os resultados obtidos, fomos uma Seleção muito unida.

O que retiras destas experiências internacionais em representação da Seleção Nacional?
Retiro uma alegria brutal e fiquei muito contente com os resultados onde fui campeão e com as restantes provas. Estas participações dão-me mais força, mais vontade e motivação para trabalhar e melhorar até aos próximos Campeonatos do Mundo.

Foste distinguido, pela autarquia de Gondomar, com o prémio de Melhor Atleta de Natação Adaptada de 2017. O que achaste desta distinção?
Gostei bastante de ser Atleta do Ano, achei que foi uma justa distinção, não esperava e fiquei muito contente por se terem lembrado de mim.

Como a tua família reage aos resultados que tens obtido?
A minha família apoia-me sempre, são os meus pilares na vida e estão muito contentes e orgulhosos com os resultados que tenho obtido.

Com que idade começaste a nadar e o que te levou a ir para a natação?
Essa é uma bela pergunta. Eu comecei a nadar em 2008. A minha primeira prova foi em S. João da Madeira. Fui para a natação através do pai de um ex-nadador, que eu conhecia da terapia da fala e da fisioterapia e que me falou para eu ir para a natação, nadar na equipa do filho dele.

A natação foi logo paixão ou só com os anos é que foste gostando da modalidade? Descreve-nos um pouco da tua carreira…
A minha primeira paixão foi o futebol. Andei no Sport Clube de Rio Tinto, depois do futebol fui com o infantário para as piscinas de Rio Tinto e foi lá onde dei as minhas primeiras braçadas. Depois disso, numas férias em Mortágua, onde havia uma piscina muito grande para a qual eu quis ir, apesar do receio inicial da minha mãe. Mas aqui, a minha mãe reparou que eu tinha algum jeito para a natação e eu quis continuar e aí é que surgiu a paixão pela modalidade.

Quantos treinos fazes por semana e quantas horas treinas? Conta-nos um pouco o teu dia a dia…
Faço sete treinos por semana. Treino 1h30 em cada treino e alguns dias ainda faço ginásio. Trabalho numa escola, onde tomo conta dos meninos mais pequenos, limpo as salas, coloco as mesas para o almoço e faço a vigilância no recreio. Ao fim de semana, por vezes vou para o campismo, outros vou ver os jogos do FC Porto ao estádio, outros tenho competições e outros dias fico em casa a descansar.

A época passada transitaste para o CPN após teres representado o Clube de Natação da Maia. O que te levou a optar pelo clube de Ermesinde?
Eu vim para o CPN por causa da minha treinadora e colegas também terem ido.

Revela-nos uma história marcante que tenhas experienciado nestes anos de natação…
A história mais marcante para mim nestes anos foi ter ouvido o hino nacional após a prova dos 800m livres, nos Campeonatos da Europa, em Paris.

Já somas vários títulos, medalhas e recordes. Que objetivos tens definidos para esta época?
O maior objetivo é conseguir ir aos Campeonatos do Mundo, que vão ser no Canadá, em julho. Gostava, também, de baixar o meu tempo aos 1500 metros livres, batendo o recorde nacional.

A vertente de síndrome de down continua fora dos Jogos Paralímpicos. Qual é a tua opinião sobre este assunto?
Eu acho mal não apoiarem os Jogos Paralímpicos para nadadores com síndrome de Down. O meu sonho era ir aos Jogos Paralímpicos!

A natação adaptada ganhou ao entrar na Federação Portuguesa de Natação e consequentemente nas Associações Territoriais (ANNP) e a ser incluída nas competições de natação pura?
Eu acho bem, pois por exemplo, agora temos mais estágios, da FPN e da ANNP. Também gostei muito do estágio inclusivo, com os nadadores das águas abertas, onde fiz novos amigos. Também acho importante podermos participar em algumas provas de natação pura, tal como eu já participei, pois dá mais "pica" (risos).

Que importância tem na tua vida a treinadora Ana Querido?
Eu estou muito contente por estar com a minha treinadora Ana Querido, porque ela é uma boa treinadora, canta bem e quando berra, berra mesmo (risos), mas eu sei que é para o nosso bem.

Tens ídolos? Quais?
O meu maior ídolo é o Michael Phelps.

Sonho por realizar?
Tenho dois sonhos por realizar: o primeiro é ir aos Jogos Paralímpicos e o segundo é ir à Disneyland Paris.

Que conselhos dás a quem deseje praticar natação adaptada?
É preciso estar disposto a trabalhar muito, escolherem um grupo onde se sintam bem e terem paciência para a treinadora (risos)! Por último, gostaria de agradecer à Nortágua por este convite para a entrevista e por ter sido o escolhido para este destaque.

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