Jovens com vontade de treinar precisam-se

Diretor-Técnico regional de natação pura
AUTORRodolfo Nunes
Uma das conversas de cais que mais me tem chamado a atenção nestes últimos anos é a do não compromisso dos nossos jovens para com a natação de competição em todas as suas vertentes (natação pura, águas abertas, natação artística e/ou polo aquático). Se por um lado é verdade que há cada vez melhores condições em termos de infraestruturas no nosso país, nem sempre aproveitadas da melhor forma na minha opinião, também é verdade que cada vez mais os jovens se sentem menos motivados para o compromisso do treino/competição, que não é propriamente um processo fácil na nossa modalidade, nos tempos atuais. Podíamos apontar mil e um motivos para este desinteresse e falta de vontade de progredir através do treino, visto que através do talento é possível até um certo patamar, mas o principal quanto a mim é o facilitismo e a falta de compromisso que os jovens têm para consigo mesmos e para com as instituições que representam. Sinto que neste momento a maior parte dos agentes desportivos, para além dos atletas, dá mais do que o que recebe…
Sinto que a maior parte dos encarregados de educação facilita e não acompanha o seu educando como era de esperar…

A maior parte dos clubes estão-se a transformar em recreação e tempos livres para a maior parte dos nadadores! Depois quando algo não nada de acordo com o esperado é comum ouvir-se: “agora é que vou treinar”, só que esse agora dura 2 ou 3 semanas, 2 ou 3 treinos..!

Sei que a carga horária escolar é grande, sei que a sociedade está cada vez mais difícil, individualista, competitiva e com cada vez mais ofertas tentadoras, mas também sei que se queremos lutar por algo diferente temos que nos sacrificar de forma diferente. Não será por fazermos um treino bom que seremos melhores…

Será sim por fazermos muitos treinos bons quando o nosso corpo e a nossa mente não quer ou não se sente capaz! Ainda esta semana um colega me disse que ouviu isto numa conversa numa competição: “antigamente num grupo de 20 tínhamos 18 que queriam treinar e 2 que não, atualmente é ao contrário!” O antigamente referido não é assim há tanto tempo…

É preciso continuar a mudar mentalidades e a fazer compreender que a natação, em todas as suas vertentes, não é fácil, mas quem gosta deve fazer por evoluir o mais que pode em todas as suas capacidades para ser o melhor nadador possível e saber realmente o que vale e não ficar a meio do caminho sem certezas só porque… É o mais fácil!

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