Será um lugar-comum nos dias de hoje falar-se em formação
Diretor-Técnico regional de polo aquático
AUTORJoão Pedro Santos
Todas as profissões, classes sociais, atividades diversas e outras têm projetos ou pertencem, de certa forma, a um centro de formação. Esta situação de ter (ou não ter) mais ou menos formação em determinado tema ou assunto pode ser decisiva para se conseguir alcançar níveis de concretização mais elevados, ou por outras palavras se chegar ao sucesso. No nosso caso, tratar-se-á de conseguirmos ser melhores treinadores, exercer a nossa atividade com mais competência e conseguirmos, ao nível da ciência do treino, adaptar as várias condicionantes aos nossos atletas ou aos objetivos da nossa equipa.
No polo aquático, que é o que nos interessa, a Federação desenvolveu, na última época, uma importante ação com um treinador de reconhecidos méritos, ação essa muito elogiada por todos os participantes. Foi, sem dúvida alguma, um momento de grande incremento para todos. Também a ANNP levou a efeito, no último ano, uma importante divulgação sobre o trabalho nos guarda-redes, tendo trazido à cidade do Porto um dos mais conceituados técnicos de guarda-redes da Europa.
Em ambas as formações, todos os participantes puderam colocar as suas dúvidas e beneficiar de conteúdos que certamente muito contribuíram para o seu trabalho no dia-a-dia.
Obviamente a formação é muito importante. Mas, apesar das iniciativas referidas, parece-nos muito redutora a nossa ação enquanto treinadores nacionais, no nosso relacionamento, organização e porque não também na nossa disponibilidade para também nós desenvolvermos trabalhos a serem visualizados e comentados em Portugal. O nosso país tem bons treinadores. A maioria deles trabalham em condições muito precárias, quer de espaço, quer de ausência de horários adequados, quer de material e outras. As soluções encontradas são por vezes reveladoras de um grande espírito crítico, de adaptação e inovação. Seria muito importante todos podermos aprender com todos no desenvolvimento da nossa modalidade. Sermos capazes de apresentar trabalhos baseados na nossa experiência, com grande conhecimento da realidade nacional, só iria contribuir para um polo aquático mais estruturado e equilibrado. Todos precisamos de todos e a partilha de conhecimento traria novos desenvolvimentos à modalidade e contribuiria para uma melhor união da classe de técnicos portugueses. Da nossa parte, enquanto diretores-técnicos da Associação do Norte, estaremos sempre disponíveis para aceitar e divulgar trabalhos de pesquisa e ou outros que contribuam para no futuro sermos mais fortes e habilitados. Sejamos audazes e apresentemos as nossas ideias. Podemos falar de muitas coisas. Do treino em si mesmo. Dos espaços reduzidos e falta de material e as soluções encontradas. De associativismo e de calendarização, dando novas ideias para o desenvolvimento na região A, B ou C, ou simplesmente falarmos das regras e da sua aplicação prática em jogo, por exemplo. Temas não faltam e a discussão e debate de ideias a todos seria benéfica.
Este aspeto da formação tem muita importância nos tempos atuais, até porque será importante estarmos atentos às novas diretivas do IDP sobre o assunto, cujo prazo de concretização de procedimentos será em maio de 2012, uma situação que se traduzirá num escalonamento de níveis de conhecimento para a nossa classe.