Taça dos Clubes Campeões Europeus 1989/90

AUTORIsabel Magano
A verdade é que desde o momento que se realizou o primeiro jogo, nunca mais o polo aquático parou até aos dias de hoje! Vou continuar a relatar alguns dos factos mais interessantes antes de se dar início ao projeto Seleção Nacional Feminina – havemos de chegar lá nas próximas edições!

A temporada de 1989/90 foi marcante para o polo aquático em Portugal. O CDUP dominou a época e sagrou-se campeão nacional feminino, obtendo bilhete direto para a Taça dos Clubes Campeões Europeus, que seria realizado em setembro na Holanda (por sorteio de equipas).

Deu-se início a uma grande batalha: onde iríamos arranjar dinheiro para podermos participar? Os apoios eram mínimos e a vontade era muita!

Em conjunto com a equipa masculina, portanto com toda a secção de polo aquático, traçámos um plano que resultou. A venda de rifas, o bater de porta em porta a solicitar patrocínios até ao ponto mais alto desse plano: a realização de um Café Concerto.

Houve uma mobilização fabulosa de todos os envolvidos nesta aventura, com família e amigos incluídos na venda das rifas, preparação de refeições e bebidas, disponibilidade de cadeiras, pratos, talheres e copos, não esquecendo a música e respetivos instrumentos. A piscina da Boa Hora transformou-se em espaço aberto com restaurante, música ao vivo e demonstrações de natação sincronizada. Todos trabalharam com um objetivo comum. Foi um êxito!

Para o momento final ficou o supremo sucesso destas iniciativas: aproveitando o entusiasmo dos adeptos portistas, vendemos todas as “sobras” à porta do estádio das Antas em dia de jogo de futebol.

Alcançada a verba necessária, confirmámos a participação na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Era a primeira vez que Portugal, através de uma equipa, conseguia marcar presença neste evento internacional.

Em finais de setembro, após quase quatro meses sem qualquer jogo oficial, partimos rumo a Zaandam, Holanda. O grupo era muito forte, contava com as equipas campeãs da Alemanha, Holanda e Dinamarca. As duas primeiras já possuíam jogadoras internacionais profissionais, não tendo comparação possível com a nossa realidade desportiva... ainda hoje!

Os resultados foram motivadores para a evolução da equipa, principalmente contra a Dinamarca, com a derrota equilibrada de 13-7. Nos outros dois jogos, ficou visível o desiquilíbrio de experiência internacional, 44-0 com a Alemanha e 34-2 com a Holanda.

Foi uma experiência única que nos deu uma perspetiva diferente do polo aquático feminino. A elevada técnica individual e o alto nível de organização daquelas equipas acrescentou-nos ainda mais força para evoluirmos individual e coletivamente.

Além da experiência desportiva, houve ainda algumas peripécias logísticas. Na tentativa de regressar a Portugal, uma das carrinhas recusou-se a andar... na Bélgica. Na comitiva não existiam mecânicos nem alguém com conhecimentos técnicos que resolvesse o problema. Foi decidido que as atletas que tinham mais urgência viajassem na carrinha que ainda estava operacional, ficando a restante comitiva a aguardar solução. Devido à rigorosa gestão orçamental, verificamos que ainda havia folga financeira que permitiu viajar de avião no dia seguinte.

Conclusão: chegámos todos ao mesmo tempo!!!

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