Tiago Rodrigues: “A vida que escolhi divide-se entre o cloro e os livros”

Tiago Rodrigues, nadador do CLIP
AUTORJoaquim Sousa
O recente recorde nacional de juvenis A batido nos 50 livres catapultou Tiago Rodrigues para uma montra de jovens valores que prometem dar cartas na natação portuguesa. Em entrevista à revista digital Nortágua, o nadador do Colégio Luso-Internacional do Porto considera esse feito “uma grande e agradável surpresa”. Com boas expetativas para a segunda metade da época, o atleta do clube portuense promete “trabalhar forte” com “foco e dedicação”. Fã de Caeleb Dressel e Vladimir Morozov, Tiago Rodrigues, cujo seu dia-a-dia divide-se entre “o cloro e os livros”, espera um dia “integrar a comitiva da Seleção Nacional [Absoluta] e participar nos Jogos Olímpicos”.

Estabeleceste recentemente, na Taça Vale do Tejo, um novo recorde nacional de juvenis A nos 50 livres. Esperavas conseguir tal feito?
Honestamente, não esperava de todo. O meu único objetivo para essa prova era bater o meu recorde pessoal... o facto de ter surgido o recorde nacional foi uma grande e agradável surpresa. Com o trabalho, o impossível hoje torna-se uma realidade amanhã.

Sobre esse evento, que reúne em Abrantes as seleções de todas associações territoriais, que ambiente se vive na competição, tendo em conta que a ANNP discute, desde a primeira edição, os primeiros lugares da classificação?
Nesse evento o ambiente é muito denso, muito pesado por assim dizer. A competição entre associações é enorme, como estão os melhores nadadores nacionais dos escalões de infantis e juvenis todos querem impor respeito, mostrar o seu valor e dar o melhor pela sua Associação.

Com a época a meio, o que poderemos esperar de ti na segunda metade da temporada?
Estou com boas expetativas, tenho tido boas sensações e tenho-me apresentado bastante competitivo em prova. No entanto, é muito complicado falar do futuro, o processo é duro e longo e só eu o posso moldar, trabalhando forte diariamente. É isso que podem esperar de mim, muito trabalho, foco e dedicação, tudo o resto surgirá como consequência.

Tens sido convocado para a Seleção Nacional Pré-Júnior, a última das quais para o Meeting Internacional de Lisboa. Que expetativas tens a nível de seleções?
As minhas expetativas são continuar o meu percurso na seleção. Na minha última convocatória senti-me bem e acho que correspondi a nível competitivo com o pretendido, dessa forma trabalho para voltar a ser convocado na próxima oportunidade.

Como surgiu a natação na tua vida? Descreve-nos um pouco da tua ainda curta carreira…
A natação faz parte de mim desde que usava fraldas, os meus pais tinham por hábito levar-me à Piscina Municipal de Perafita para darmos um mergulhito. Desde pequeno que adoro água e sinto que a natação foi a escolha perfeita e natural, é onde me sinto confortável, “em casa”.
Quando iniciei o meu percurso era um como tantos outros, a dar as primeiras braçadas, neste momento é um prazer enorme perceber que sou conhecido a nível nacional.

Se tivesses que escolher o momento mais importante, qual dirias que é?
Ui, essa pergunta é muito fácil responder. O momento mais importante para mim foi a primeira vez que estabeleci um novo recorde nacional aos 100L no Campeonato Zonal de Infantis na Mealhada, há 2 anos. Não estava mesmo nada à espera de baixar tanto o meu tempo e acabar por quebrar uma marca nacional!

Quantos treinos fazes por semana e quantas horas treinas? Conta-nos um pouco o teu dia a dia…
Durante o processo, os horários vão sendo alterados e ajustados mediante algumas competições mais importantes e os objetivos traçados. Atualmente estou com nove treinos semanais, três de manhã e seis de tarde, quatro horas de treino físico e 17 horas de água, perfazendo 21 horas semanais. Quando treino de manhã, por exemplo, acordo às 5h15, treino das 6h00 às 7h45, começo as aulas às 8h30, termino às 16h50 e às 17h15 estou de volta ao clube para iniciar o treino às 17h30, termino 20h ou 20h30, dependendo do dia. Nos tempos livres que restam, como, como e como… Esta é a minha realidade, a vida que escolhi neste momento divide-se entre cloro-livros, livros-cloro e cloro-livros... mas eu gosto e até me tenho aguentado bem.

Sobre o CLIP, como podes descrever o que é o teu clube e as condições que te proporciona para o teu crescimento como nadador?
Ora bem, sobre o CLIP... é um clube que me fornece as melhores condições de treino, para em competição poder desempenhar a minha melhor performance. Na realidade é mais que um clube, é a minha segunda família, passo lá muito do meu tempo e em determinados momentos acabo por conviver mais no CLIP, com os meus colegas de equipa e staff técnico do que com os meus pais. Estou no local certo para em conjunto termos muitas alegrias!

Achas que o CLIP poderá produzir outros nadadores que atinjam resultados de topo nacional?
Sim, sem dúvida. Aliás existem alguns pré-cadetes e cadetes que são muito melhores em termos competitivos do que eu era na idade deles. O clube tem trabalhado imenso para conseguir esse sucesso, temos condições de topo com treinadores de topo.

A tua família acompanha-te nas competições? De que forma te apoiam?
Felizmente tenho uma família que me apoia em todos os momentos, nos bons e nos maus. O meu pai tem-me apoiado imenso para a prática da natação e tem sabido ajudar-me para poder retirar o melhor de mim em cada competição, tem por hábito marcar sempre presença nas competições, pois é das poucas pessoas que acredita e sabe que um dia irei finalmente disparar.

Que importância têm tido os teus treinadores no teu desenvolvimento como atleta?
Desde que entrei no CLIP, os meus treinadores têm sido peças fundamentais no meu processo de desenvolvimento enquanto atleta e pessoa. Foram determinantes para a minha evolução técnica e acima de tudo têm-me preparado psicologicamente para competir a um nível muito elevado, acreditam muito nas minhas capacidades enquanto nadador, eles querem-me ver “a comê-los... sem deixar rasto”. São muito exigentes nos treinos, mas temos uma relação muita próxima. Espero que continuemos com o nosso trabalho e entrega por muitos e bons anos.

Até onde imaginas chegar como nadador?
Essa pergunta é um pouco traiçoeira, porque eu como nadador posso chegar onde eu quiser, se acreditar no trabalho, no suor de sangue e nas pessoas que me apoiam diariamente. Mas a natação é uma das, senão a mais exigente modalidade desportiva em termos psicológicos, pois muitas vezes na água uma pessoa sente-se mais cansada dentro da cabeça que fora dela. No entanto, trabalho para um dia poder integrar a comitiva da Seleção Nacional e participar nos Jogos Olímpicos.

Tens ídolos? Quais?
Os meus dois principais ídolos são o Caeleb Dressel e o Vladimir Morozov, atualmente são uns competidores ferozes e têm demonstrado ser dos mais fortes do planeta.

Que conselhos darias a quem deseje praticar natação?
A natação, como já disse, é um desporto que envolve muito trabalho psicológico e capacidades como a resiliência, a persistência, a disciplina, o foco, a superação, o compromisso e trabalho em equipa são fundamentais, mas se uma pessoa aguentar tal exigência, se for dedicado e empenhado nos treinos, certamente chegará longe... a natação não é um desporto para qualquer um.

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