Treinadores à Moda Antiga
Época desportiva
20192020

Partilhas entre treinadores não são como eram “à moda antiga”

António Vasconcelos, João Botelho e António Florim, que participaram esta sexta-feira, na Casa do Desporto do Porto, no primeiro debate do Ciclo de Conferências do Centenário da Associação de Natação do Norte de Portugal, subordinado ao tema “Treinadores à Moda Antiga”, têm a mesma opinião sobre a partilha entre treinadores da era moderna: “Não é como era antes”.

“Antes havia mais partilha entre os treinadores, agora não. Mas eu continuo a agir da mesma forma”, afirmou João Botelho, treinador de cadetes do Leixões.

Já António Vasconcelos, treinador da equipa absoluta do Clube Naval Povoense, corroborou da ideia, mas ressalvou que “hoje em dia os treinos são mais partilhados entre atletas e treinadores”, a que António Florim, treinador do Fluvial Portuense, acrescentou que os “resultados desportivos podem ser uma justificação” para não haver essa partilha de informação.

O técnico portuense lembrou histórias, enquanto nadador, com o técnico Filipe Vaz, considerando que há muitas diferenças entre o treino de antigamente e o atual: “Os pais, hoje em dia, acham que os filhos têm sempre razão, antes não. Antigamente as pessoas moravam perto da piscina, hoje não. Eu, por exemplo, no período de férias, preferia ficar no Fluvial, juntamente com aquela malta. Acho também que houve evolução nas piscinas, hoje há muitas mais, e para aprendermos como treinadores íamos muitas vezes aos congressos em Espanha. Outro dos aspetos que noto grandes diferenças é do trabalho que hoje se faz fora de água, antigamente ninguém ligava nenhuma a isso”.

Por sua vez, Botelho considerou que, hoje em dia, “o treinou mudou”, lembrando Manuel Gonçalves como a sua “primeira referência”, numa altura em que “só havia um treinador para todos os escalões”.

“O que fez evoluir a natação foram as piscinas, mas cada vez mais é difícil treinar em piscinas. Enquanto eram só os clubes a praticar natação, quando as Câmaras assumiram o negócio passou a ser uma gestão mais difícil. Outra das diferenças para os tempos atuais é que antes o planeamento era todo o feito à mão, numa folha A3. Agora também há outro tipo de material didático”.

Pelas mãos do técnico leixonense passaram nomes como Angélica André, que esteve a assistir ao debate, Fernando Costa e Gonçalo Santos.

Por outro lado, António Vasconcelos não se assumiu como um treinador à moda antiga. “Sou adaptável, um mutante”, referiu.

O técnico poveiro vincou várias diferenças entre os tempos do antigamente e os atuais: “Tive que me ajustar às realidades sociais. Hoje o treino é mais empírico. Grande passo que se deu na formação dos técnicos foi com a APTN. Outra das diferenças foram os fatos que deram um solavanco no rendimento dos atletas, bem como a visualização de imagens subaquáticas que veio permitir melhor qualidade técnica aos nadadores e a comercialização da natação que veio valorizar muito a modalidade, permitindo maior longevidade dos nadadores.

O treinador olímpico de Atenas-2004 não esqueceu o “importante o sacrifício que os pais fazem” no apoio aos nadadores e anotou que “os estágios são muito importantes para a evolução dos atletas, pois é bom saírem da zona de conforto”.

Cerca de 60 pessoas marcaram presença neste arranque do ciclo de conferências moderado por José Manuel Costa.

O próximo debate, subordinado ao tema “O Ressurgimento do Polo Aquático”, está agendado para dia 20 de dezembro (20h30), na Casa do Desporto do Porto, com os oradores José Manuel Soares, Luís Lopes dos Santos e António Sérgio de Matos.